segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Epístola aos Romanos

A graça e a paz do Senhor Jesus Cristo a todos!

Estamos iniciando mais um trimestre de nossa Escola Bíblica Dominical. Para as classes de adultos e jovens, o tema é a Epístola de Paulo aos Romanos. Esse é tido como o livro mais importante da Bíblia Sagrada, na opinião de alguns estudiosos: influenciou grandemente o pensamento de Agostinho, Lutero e Calvino, os três principais teólogos depois do fim da era apostólica.

Mas a compreensão de sua mensagem não é assim tão fácil, principalmente para os cristãos mais novos na fé. A epístola é considerada a porção mais difícil do Novo Testamento: até o próprio apóstolo Pedro sentiu a dificuldade (2Pe 3.16 -- sem dúvida, ele tem em mente aqui principalmente Romanos) e denunciou os "indoutos e inconstantes" que a deturpavam. A doutrina da justificação pela fé, grande tema dessa carta de Paulo, foi distorcida e desvirtuada pelos hereges, como denuncia Tiago (Tg 2.14-26).

Por isso, a Epístola aos Romanos é um dos livros das Escrituras que mais exigem do estudante crente um espírito dócil, uma inteligência iluminada por Deus, um bom alicerce bíblico-teológico, uma busca diligente do sentido e, sobretudo, oração perseverante para a sua interpretação. A maneira própria de escrever e de argumentar do apóstolo Paulo, homem de um raciocínio rápido, poderoso, profundo e complexo (usa muitos parêntesis e parágrafos e, por isso, faz-se necessária atenção às interconexões dentro do texto) e que, ainda por cima, expunha doutrinas elevadas e misteriosas, explicam o porquê de até hoje ser mal compreendida por muitos.

Para ajudar em nosso estudo, apresento este vocabulário específico do livro, baseado em um feito por Lutero no famoso Prefácio à Carta de São Paulo aos Romanos, mas com alguns acréscimos e adaptações feitos por mim:

LEI: Não se trata de regulamento sobre quais tipos de ações devem ser feitas ou não, nem de quais condutas têm ou não que ser adotadas, como acontece com as leis humanas. A lei a que Paulo se refere nesse livro é aquela que tem que ser obedecida até no mais profundo do coração. Cristo também ensinou a mesma coisa no Sermão do Monte: veja Mateus 5.22-28.

PECADO: Esse termo, para o apóstolo, denota não somente os atos contrários à santidade exigida por Deus e que são praticados exteriormente pelo corpo (e tais atos são abordados no trecho que vai de Rm 1.1 até 5.11), mas também todas as disposições que nos levam à prática daqueles atos (tratadas em Rm 5.12 a 8.39). Essas disposições, que todos os seres humanos têm por causa da natureza caída, herdada por Adão, os impelem a viver em oposição à vontade de Deus.

GRAÇA: Trata-se de favor não merecido recebido por alguém. Os homens, mesmo aqueles que não nasceram de novo, às vezes praticam ações graciosas para com outras pessoas. Contudo, Deus vai mais além: sua graça se estende até para com aqueles que O odeiam, que Lhe são ingratos e que até mesmo se levantam abertamente contra Ele. O que, para alguém sem a obra transformadora do Espírito Santo, é algo impossível (veja Rm 5.6-8).

FÉ: Fé, basicamente, é crença. Mas a fé que Romanos e outras porções do Novo Testamento mencionam é aquela implantada pelo Espírito Santo no coração, a qual capacita o salvo a ter uma confiança viva e inabalável na graça divina. A fé é dom (presente, dádiva) de Deus (Efésios 2.8) e Jesus Cristo é o Autor e Consumador dela (Hebreus 12.2). Deus é quem opera tanto o querer quanto o efetuar (Fp 2.13). Isso é necessário porque o pecador é um morto espiritual (v. Efésios 2.1 e versículos seguintes).

JUSTIÇA: A palavra tem o sentido de conformidade com aquilo que é direito. Porém, ao contrário do uso normalmente dado ao termo, no caso dos crentes, sua justiça não advém da prática de boas obras ou ações, nem da abstenção da prática de atos maus. Sua justiça vem da fé no Senhor Jesus, outorgada pelo Pai, em atenção aos "merecimentos do Filho de Deus" (lembra-se da letra do hino 15 do Cantor Cristão?) obtidos por Cristo pela obra na cruz do Calvário, satisfazendo as exigências da justa Lei divina e pagando a pena em nosso lugar. De modo que Deus é "justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.26), imputando (atribuindo) justiça aos crentes, declarando que esses agora são justos aos olhos dEle.

CARNE: Não significa apenas o corpo humano. Tal conceito errôneo, porém, é nutrido até mesmo por muitos crentes. Mas para Paulo carne é o ser humano em sua totalidade (corpo, alma, intelecto, vontade e sentidos) quando inclinado aos desejos pecaminosos. Afinal, o corpo, por si só, não é capaz de ter propensão a tais desejos. Embora, em certas partes das Escrituras, a palavra tenha de fato sentido literal: veja, por exemplo, 1 Coríntios 15.39 e a própria Epístola aos Romanos em 14.21. Neste último caso, porém, já se trata da parte prática do livro, e não mais da exposição doutrinária (que vai de 1.16 até o final do capítulo onze). Em Gênesis 6.13 e Efésios 6.12, carne quer dizer a humanidade.

ESPÍRITO: Não se trata de fantasma, uma forma etérea, segundo o conceito popular. Espírito, aqui, denota todo o ser (corpo, alma, intelecto, vontade e sentidos) consagrado às coisas do Alto e voltado para a vida do porvir. A vida de alguém espiritual, tanto na igreja quanto fora dela, é um testemunho dessa realidade.

Que Deus nos auxilie e, por Seu Santo Espírito, nos guie em nossos estudos em mais este trimestre da EBD, para que sejamos todos edificados e o nome dEle seja glorificado.

Vanderson Moura da Silva.

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